Estações

“O encontro com a vida natural, junto aos indígenas do Brasil, dos EUA, México e Guatemala foi me abrindo para perspectivas mais amplas de compreensão da arte.

Fui, primeiramente, impregnada do aprendizado com a Natureza. Me irmanei ao feitio rústico da vida junto às ocas, banhando no rio, buscando lenha e mandioca, vivendo descalça e ao sabor das intempéries, junto a animais silvestres e ao ritmo do Sol e da Lua.

Os rituais me iniciaram aos gestos do Princípio Gerador do Ritmo e Movimento (Hunab Ku, na cultura Maia) criados individual e coletivamente, para a vida social e espiritual, pelos povos nativos.

Instigada a levar estes sinais para a expressão e vivencias artísticas me dediquei à consciência corporal (pela maestria de Klaus Viana), às artes orientais corporais (Mestre Liu, Lucia Lee) artísticas (Noburo Yoshida, Kazuo Ohno, Umewaka, Toshi Tanaka senseis) e de caligrafia e nanquim (Fang), com o intuito desenvolver o Estado de Presença, na minha performance pessoal e também com propósitos pedagógicos. Passando pelo Teatro, Dança, Tai Chi, Bá Gua, Butoh, Teatro Nô e Seitai Ho acabei encontrando na Performance Vocal a conexão mais direta e pura com a expressão do corpo. A voz se conecta ao corpo por uma respiração apropriada e, assim, as mais delicadas camadas musculares e expressivas vão sendo tocadas, nos aproximando um pouco mais do verdadeiro Estado de Presença.”