Amazônia

Amazônia

"Fui convocada para consultoria de roteiro, pesquisa e preparação do elenco indígena do filme “Brincando nos Campos do Senhor”, dirigido por Hector Babenko. Em 1989 me desloquei para Belém onde, por um ano, convivi com indígenas, descendentes, população ribeirinha e equipe de artistas e técnicos do filme. Navegando e mergulhando nas grandes águas e igarapés, adentrando a mata e seus segredos, percebi o convite de permanecer na Amazônia. Ao final de 1990, me mudei para a Ilha do Combu. Fui habitar uma palafita junto à comunidade ribeirinha, enquanto preparávamos o Barco-Teatro Julia. A vida comunitária, o saber intuitivo, as mensagens de visagens e sumaumeiras, o afeto dos animais silvestres, o aprendizado da lua e das águas, a vida a bordo e a navegação, as histórias das crianças e anciãos, os remédios de andiroba, copaíba, o beber diário do açaí com farinha e peixe, a hospitalidade e solidariedade irrestritas: saberes que contagiaram minha criação e olhar sobre o mundo e a arte."

Ilha do Combu

"Registro da vida junto ao Igarapé e à comunidade ribeirinha da Ilha do Combu. Barco-Teatro, jogos infantis, encontros com a professora e os alunos na escolinha, vida regada a alegria, solidariedade e natureza." (1990 a 1994)

Projeto Navegarte

"Depois das filmagens de "Brincando nos Campos do Senhor", filme de Hector Babenko (do qual fui preparadora de atores do elenco indigena), continuei em Belém do Pará, e junto com o companheiro Jean Pierre Barreto Leite construímos o barco-teatro , que recebeu o nome "Julia". Além de nossa morada o barco abrigou o Projeto Navegarte, em parceria com o Museu Emílio Goeldi,  a ONG Sumaúma, UFPA. Nosso porto seguro foi a Ilha do Combu e seus habitantes, que se tornaram nossa família, e mais adiante o projeto se estendeu às outras comunidades ribeirinhas  do Rio Acará, da Ilha do Marajó, do Furo do Maguari, e arredores. Várias atividades artístico-culturais foram desenvolvidas: registro e encenação de histórias, oficinas de teatro, de música e criação de cenas curtas, integração entre artistas de outros estados e cidades com as comunidades e artistas ribeirinhos, acolhimento de pesquisadores, integração com a escola, treinamento de professores. O Projeto durou de 1990 a 1994."

Visita a Sahu Apé

Julia Pascali, levada pelas mãos do ator e diretor Luiz Davi Vieira Gonçalves, visita a aldeia Sahu Apé dos Sateré Maué. O registro dos momentos que compartilhou envolve a farmácia de Sahu, filho de Dona Baku, a Pajé, as crianças e a cultura para os visitantes e dona Baku fazendo colar. A aldeia Sahu Apé fica às margens do Rio Ariaú, a 27 km de Manaus, no estado do Amazonas, Brasil.